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19 de
fevereiro de 2010
Arruda continua preso?
STF aguardava parecer para julgar habeas corpus
do governador.
Pedido de liberdade deve ser analisado em plenário
no dia 24 ou 25.
Diego Abreu Do G1, em Brasília
A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou
parecer nesta sexta-feira (19) ao Supremo Tribunal
Federal (STF) no qual defende a manutenção da prisão
preventiva do governador afastado do Distrito
Federal, José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM).
O parecer será anexado ao pedido de habeas corpus
protocolado na Suprema Corte pela defesa de Arruda.
O relator do pedido, ministro Marco Aurélio Mello,
aguardava apenas a manifestação da PGR para levar o
caso a plenário. O pedido de liberdade de Arruda
deverá ser julgado na quarta (24) ou quinta-feira
(25), dias em que ocorrem as sessões plenárias. No
parecer recebido pelo STF, a vice-procuradora-geral
da República, Deborah Duprat, destaca que a prisão é
necessária para garantir a manutenção da ordem
pública e o andamento da investigação.
Suspeito de comandar um suposto esquema do mensalão
do DEM de Brasília, Arruda foi afastado do governo e
está preso desde a última quinta-feira (11) na
Superintendência da Polícia Federal. O decreto de
prisão preventiva foi expedido pelo Superior
Tribunal de Justiça (STJ), sob a justificativa de
que o governador teria tentado subornar uma
testemunha do caso.
Como consta da decisão que decretou a preventiva,
houve absoluta subversão da ordem pública no
Distrito Federal: a sua estrutura administrativa foi
utilizada para impedir a tramitação do processo de
impeachment na Câmara Distrital"
Na última sexta-feira (12), o ministro Marco Aurélio
Mello negou habeas corpus a Arruda em caráter
liminar (provisório).
O escândalo de corrupção veio à tona no dia 27 de
novembro quando a Polícia Federal deflagrou a
Operação Caixa de Pandora.
O suposto esquema de distribuição de propina foi
denunciado pelo ex-secretário de Relações
Institucionais de Arruda, Durval Barbosa. O
inquérito que envolve o governador do DF, seu vice e
oito deputados distritais, além de empresários e
membros do governo, tramita no STJ.
Pedido
No habeas corpus, a defesa de Arruda argumenta que,
ao decretar a prisão do governador, o STJ não
respeitou o princípio da ampla defesa para que ele
pudesse esclarecer suficientemente os fatos e,
ainda, que o STF já decidiu em outras ocasiões que
ação penal contra governadores necessita de licença
prévia da respectiva Casa Legislativa.
No entanto, a vice-procuradora enumerou que o
governador está preso por tentativa de corrupção de
testemunha e por uso da máquina pública para impedir
o andamento do processo de impeachment que corre
contra ele na Câmara Legislativa. Deborah Duprat
acrescentou que o Supremo já declarou
inconstitucional o artigo da Lei Orgânica do DF que
diz que a prisão cautelar do governador depende de
autorização da Câmara Legislativa.
"Servidores públicos ocupantes de cargos
comissionados foram ameaçados de demissão caso não
participassem de manifestações em favor do
governador"
“Como consta da decisão que decretou a preventiva,
houve absoluta subversão da ordem pública no
Distrito Federal: a sua estrutura administrativa foi
utilizada para impedir a tramitação do processo de
impeachment na Câmara Distrital”, destaca trecho do
parecer.
O documento assinado por Deborah Duprat diz ainda
que “servidores públicos ocupantes de cargos
comissionados foram ameaçados de demissão caso não
participassem de manifestações em favor do
governador" e que "ônibus que prestam serviços às
Administrações Regionais foram utilizados para
conduzir servidores a esses atos públicos em favor
do governador".
Por fim, o parecer cita que empresas pertencentes a
deputados distritais com atuação no processo de
impeachment foram beneficiadas com "altas somas de
recursos públicos".
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