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09 de
fevereiro de 2010
Exemplos de superação
Três estudantes contam como
conseguiram entrar na universidade.
Antes do começo das aulas, eles fazem mais planos
para o futuro.
Do G1, com informações do Bom Dia Brasil
Em época de divulgação das listas de aprovados nos
principais vestibulares do país, jovens guerreiros
comemoram a mudança de vida. Eles saíram de bairros
pobres, estudaram em escolas públicas, se dedicaram
e chegaram às melhores universidades do país.
Os livros pré-vestibulares agora são uma pilha no
canto de casa. Foram aposentados, depois de seis
anos de uso. Desde 2003, Priscila Bezerra da Silva
tentava uma vaga de mecânica de projeto na Fatec, em
São Paulo. E conseguiu. “[Me sinto] vitoriosa,
nervosa, apreensiva, mas aliviada. Tudo isso junto,
mas é uma questão de alivio por ter entrado em uma
faculdade pública, uma faculdade que eu sempre
quis”, comemora.
A manicure sempre estudou em escola pública e
precisou se esforçar muito para ganhar da
concorrência. “Foi estressante, puxado, corrido.
Quase não saía, mal comia direito, ficava horas a
fio acordada”, lembra a estudante.
Ada Geralda da Silva insistiu por quatro anos até
que a universidade, que parecia tão distante, encheu
os olhos desta jovem de alegria. “Não estou
acreditando até agora. É indescritível, é
inacreditável.”
Ela conquistou uma das 1,7 mil vagas de engenharia
de uma universidade pública. Sem cursinho, com
persistência. “Já era para eu estar me formando, mas
devido à situação financeira, não consegui entrar na
faculdade particular. Tive que estudar bastante para
chegar aqui”, diz a estudante.
Nos canaviais de Pernambuco, Jonas Lopes da Silva
ganhou cicatrizes e a força para querer outra vida.
Com 24 anos, filho de um pedreiro e de uma cortadora
de cana, ultrapassou 34 candidatos e entrou no curso
de medicina da universidade estadual, um dos mais
disputados de Pernambuco. “Não tenho como dizer a
minha felicidade. Dá vontade de sair correndo nos
quatro do mundo gritando”, diz a mãe de Jonas,
Edileusa Maria da Silva.
“O sonho de ver meu filho estudando medicina é uma
alegria”, completa o pai de Jonas, José Lopes da
Silva.
Foram quatro anos de tentativas, morou em alojamento
para estudantes, pagou o estudo com trabalho e
passou até fome.
Futuro
Medicina, mecânica, engenharia - para cada um deles,
a profissão escolhida é a melhor. É ela que vai
ajudar a escrever o futuro. “Um futuro de várias
amizades, uma boa educação, saindo formada de uma
faculdade boa”, espera Priscila Bezerra da Silva.
“Eu pretendo estudar bastante e me tornar uma pessoa
melhor, ter a formação que meu pai não conseguiu
ter”, planeja Ada Geralda da Silva.
“Não suporto ver as pessoas sofrendo. Olho para elas
e me vejo com um bisturi”, comenta o estudante Jonas
Lopes da Silva. As aulas dele só começam em agosto.
Enquanto isso, o estudante está trabalhando. Vai
usar o dinheiro para comprar os livros do curso de
medicina e também para reformar a casa dos pais.
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