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30 de Janeiro
de 2012
Projeto prevê plebiscito para destravar reforma política
Do Estadão
A Câmara dos Deputados volta do recesso nesta semana com mais uma
proposta para tentar destravar o debate da reforma política: um
plebiscito sobre dois pontos centrais das regras eleitorais, a ser
realizado em 2014.
O projeto, encabeçado pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), prevê duas
perguntas, uma sobre o modo de escolha de deputados e vereadores e outra
sobre o financiamento das campanhas.
Os eleitores decidiriam entre o financiamento público, em que são
proibidas as doações de empresas e pessoas físicas, e o privado, em que
essas doações são permitidas. Haveria também uma opção por um sistema
misto.
Hoje, o Brasil adota o financiamento privado, mas as legendas podem usar
recursos públicos do fundo partidário para quitar dívidas de campanha.
Além disso, os candidatos têm direito ao horário eleitoral gratuito,
pelo qual o governo reembolsa emissoras de rádio e TV.
Para que o plebiscito ocorra, o projeto tem de ser aprovado por
deputados e senadores. Mas, segundo líderes ouvidos pela Folha, ainda
não há entendimento para que sua tramitação avance.
O PT não está entre os apoiadores da proposta, porque tem receio de que
ela esvazie ainda mais o relatório elaborado pelo petista Henrique
Fontana (RS) em comissão especial sobre o tema, criada na Câmara em
2011.
O partido defende que o relatório de Fontana --que prevê voto em lista e
a criação de um fundo para o financiamento das campanhas-- seja primeiro
aprovado no Congresso e só depois submetido a um referendo. Na consulta,
a população confirmaria ou rejeitaria o que foi decidido pelos
parlamentares.
O relatório, no entanto, não conseguiu reunir apoio suficiente de outras
legendas.
Para Miro Teixeira, o plebiscito é importante para que as mudanças não
pareçam ter sido aprovadas em benefício próprio dos legisladores.
Segundo Virgílio Afonso da Silva, professor de direito constitucional da
USP, ainda que a consulta popular não seja uma exigência para as
alterações, ela pode ser uma maneira de "romper o impasse" que existe
sobre o tema.
Já o cientista político Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC,
diz que a consulta pouco acrescentaria. "Há um conjunto de elementos
complexos que vão confundir o eleitor e fazer com que o plebiscito não
contribua para esse debate."
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