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Empresários apóiam
proposta do MP para frigoríficos paraenses
A adesão de empresários ao Termo de
Ajustamento de Conduta (TAC), proposto pelo
Ministério Público Federal (MPF), será a saída para
retirar a recomendação às grandes redes de
supermercados do país para que suspendam as compras
de carne de frigoríficos paraenses que comercializam
produtos comprados de fazendas que não respeitam a
legislação ambiental e trabalhista.

O protocolo que vem sendo intermediado pelo governo
estadual foi discutido nesta segunda-feira, 15, em
duas reuniões. A primeira com os procuradores
responsáveis pela ação e a segunda com os
empresários do setor. O objetivo é de que até o
final da semana seja costurado um acordo final para
adesão à proposta. Os frigoríficos que subscreverem
ao TAC terão os nomes excluídos, imediatamente, da
lista de infratores e poderão voltar a comercializar
seus produtos livremente.
Pela manhã o TAC foi apresentado na sede do MPF em
Belém, durante reunião com três secretários de
Estado (Maurílio Monteiro, da Secretaria de
Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia; Cássio
Pereira, da Secretaria de Agricultura; e Aníbal
Picanço, da Secretaria do Meio Ambiente), com o
prefeito de Pau D'arco, Luciano Guedes,
representando os 39 municípios da Associação dos
Municípios do Araguaia-Tocantins (Amat) e três
procuradores: Daniel Avelino, Felício Pontes e
Ubiratan Cazetta.
O TAC exige, entre outras medidas, que os
frigoríficos sigam o Programa de Compra de Gado
Bovino, adquirindo carne apenas de fornecedores
livres de acusações sobre infrações ambientais e de
trabalho escravo; também não podem comprar carne de
pecuaristas acusados de invasão de terras indígenas
e de áreas quilombolas, violência agrária, grilagem
ou desmatamento.
Os frigoríficos se obrigam, ainda, a implementar o
Projeto de Excelência de Fornecedores,
projeto-piloto para garantir a sustentabilidade no
setor; devem, também, comunicar a todos os
fornecedores sobre o programa, garantindo a adesão e
a adoção de práticas e metas sustentáveis; e excluir
os fornecedores que não aderirem ao programa.
As medidas elencadas pelo TAC incluem ainda a
obrigação de imprimir, em todas as embalagens dos
produtos, o nome da fazenda e do município de origem
do gado. Os frigoríficos também devem exigir dos
fornecedores que deem entrada, em até seis meses, no
pedido de Cadastro Ambiental Rural, da Secretaria de
Meio Ambiente. O TAC também exige o cumprimento,
pelos fornecedores, da legislação sobre Reserva
Legal, inclusive a recomposição das áreas, por meio
de plantios.
O governo do Pará é o intermediário entre o
Ministério Público Federal e os pecuaristas e donos
de frigoríficos envolvidos no TAC. De acordo com o
secretário estadual de Desenvolvimento, Ciência e
Tecnologia, Maurílio Monteiro, o TAC proposto é
muito bom no sentido em que dá ao poder público a
garantia da origem e a qualidade da carne
comercializada no Pará, bem como o cumprimento das
legislações correspondentes, referentes ao meio
ambiente e a trabalho escravo.
Repercussão - No início da noite, em outra
reunião, desta vez na Sedect, entre o governo e os
donos de frigoríficos, os termos do acordo foram
apresentados ao empresariado. "Estas recomendações
do MPF geraram uma perda muito grande na atividade
econômica do estado. Por isso, o nosso objetivo é
atender, sim, ao TAC para que seja possível fazer a
pecuária neste estado com desmatamento zero",
afirmou o presidente da União da Indústria da Carne
(Uniec), Francisco Victer.
Na avaliação de Luciano Guedes, representante da
Amat, os prefeitos das cidades mais atingidas pela
recomendação do Ministério Público sabem que não há
alternativa para pecuaristas e empresários senão
cumprir a legislação. "Não existe mais espaço para
quem quer descumprir a lei. Para nós, o TAC é
positivo, só precisamos aprofundá-lo para garantir
que este compromisso possa ser viabilizado com
responsabilidade", afirmou o prefeito.
Ascom - Sedect
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